Agricultura e LED: aliados cada vez mais fortes

Num recente avanço na aplicação de LED na indústria hortícola, pesquisadores conseguiram diminuir o tempo de crescimento do trigo, da semente até a maturidade, em apenas oito semanas (o padrão normal é de 16). O regime de “velocidade-criação” desenvolvido pelas equipes no centro John Innes, em Norwich, Reino Unido, em conjunto com as universidades de Queensland e Sydney, usa uma estufa com LEDs finamente configurados para ajudar a fotossíntese da gramínea, iluminado-a por até 22h dia.

O desenvolvimento significa que, pela primeira vez na história, é possível o crescimento e plantio de até seis gerações de trigo todos os anos; um aumento triplo sobre as técnicas convencionais usadas atualmente por criadores e pesquisadores. “Enfrentamos globalmente um desafio enorme na reprodução e cultura mais resistentes na agricultura”, afirma o líder da equipe, Dr. Brande Wulff, do centro John Innes. “Ser capaz de alternar o tempo de germinação, crescimento e plantio nos permitirá mais rapidamente criar e testar combinações genéticas e encontrar as melhores relações para diferentes ambientes”, complementa.

E a manipulação da velocidade de crescimento nessa escala oferece uma nova solução potencial para um desafio global do século XXI. “As pessoas diziam que poderíamos ser capazes de criar plantas de ciclo rápido, porém, a nova tecnologia cria plantas que crescem melhores e são mais saudáveis do que nas condições normais”, revela Wulff.

A equipe de pesquisa diz ter provas de que a técnica de velocidade de reprodução pode ser usada para uma variedade de culturas importantes. Já conseguiram até seis gerações por ano para o trigo, cevada, ervilha e grão-de-bico; e quatro para canola, uma forma de colza. Este é um aumento significativo em comparação as técnicas de reprodução comercial amplamente utilizados, que conta ainda com zero adição de dióxido de carbono em seus testes.

O estudo mostra ainda que traços como interações patógenas da planta, formato, estrutura e tempo de floração podem ser estudados em detalhes e repetidamente utilizando a tecnologia. Para Ruth Bryant, especialista da RAGT distribuidora de sementes e que trabalha em parceria com o grupo do Dr. Wulff, “existe um real interesse no conceito de cultivo e reprodução acelerada, já que sempre existiu uma procura por soluções desse tipo”, comenta. A empresa, ao que tudo indica, deve ser a primeira a desenvolver o método em ambiente comercial.

Já o Dr. Allan Rattey, da empresa australiana Dow AgroSciences, tem usado a descoberta para produzir trigo tolerante as adversidades que existem na pré-colheita, um grande problema existente hoje no país. “O controle ambiental para rastreio eficaz e o tempo levado para percorrer vários ciclos de seleção recorrente foram grandes retardadores. Por isso a velocidade do plantio à colheita rendeu grandes ganhos para ambas as áreas”, finaliza.

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