Iluminação artificial: conheça os impactos e soluções para a Biodiversidade

Em entrevista à Expolux, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Dr. Alessandro Barghini, aborda efeitos das lâmpadas nos diferentes ciclos de vida

Iluminação artificial: conheça os impactos e soluções para a Biodiversidade
Foto: Alex Iby (Unsplash)

Inúmeras cidades brasileiras estão substituindo as lâmpadas da iluminação pública por sistemas mais eficazes em termos energéticos. Sendo assim, há maiores possibilidades de economia e de design integrado, que traz um aspecto de modernidade aos espaços urbanos. Neste movimento, muitas tecnologias estão ganhando espaço. A lâmpada de LED é uma delas, pois atende esses requisitos e gera mais segurança, ao deixar espaços mais iluminados.  

Se por um lado a tecnologia apresenta benefícios, principalmente no momento em que o país vive nova crise energética, por outro, a iluminação artificial traz alguns impactos ao meio ambiente. Um deles é a alteração do comportamento de diversas espécies de seres vivos, incluindo o ser humano. 

A discussão não é de hoje. É importante que os profissionais conheçam os impactos e estudem novas soluções para projetos luminotécnicos, sejam eles de caráter público ou privado. Visto que, estamos diante da necessidade de métodos mais sustentáveis e de preservação do meio ambiente. Além disso, os consumidores estão cada vez mais exigentes e conscientes com ações voltadas para a sustentabilidade em todas as cadeias produtivas, e alinhados ao princípio de governança e responsabilidade social,

Efeitos da iluminação artificial

O Dr. Alessandro Barghini, pesquisador e consultor do Instituto de Energia e Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), traz alguns exemplos da influência dos pontos de luz.

Nos mamíferos, as lâmpadas trazem impactos sobre os ritmos circadianos. Podendo, assim, serem fonte de doenças comportamentais e até doenças degenerativas, como o câncer de mama. Nas aves e nos insetos, por sua vez, a iluminação instalada pode provocar interferências na orientação, problema que se estende aos insetos e tartarugas marinhas.  

Um efeito grave, nos insetos, é a atração dos vetores de doenças, como a malária, a leishmaniose e o mal de Chagas. Portanto, aproximando os insetos na área entrópica, a iluminação mal projetada pode levar a surtos de doenças. 

“O principal impacto é determinado pela radiação em volta do azul e da ultravioleta. Essa radiação possui um significado específico. No ser humano é o comprimento de onda que afeta o ritmo circadiano. Para as aves e os insetos representa o céu, portanto, o espaço no qual é possível voar. Logo, a iluminação deste comprimento de onda representa um atrativo crítico que leva a fatalidades”, explica Barghini. 

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Aos profissionais de iluminação, é preciso atenção. O especialista descreve que “o fluxo luminoso deve estar sempre direcionado à área que se deseja iluminar, evitando, assim, que a radiação atinja outros espaços. Luminárias total cut off e faróis direcionais são os únicos dispositivos que deveriam ser utilizados nos espaços abertos”. Neste quesito, é importante evitar fontes luminosas em direção do céu ou que gerem ofuscamento, o que, além de gastar mais energia, aumentam os distúrbios e danos à biodiversidade.  

Barghini acrescenta ainda que, no caso das lâmpadas LED, a luz branca ou fria a 6.000 ºK não é uma escolha adequada em termos ambientais. 

Soluções para a biodiversidade

Já são desenvolvidas algumas iniciativas para reduzir as consequências à natureza e elas estão relacionadas a forma de consumo das populações locais.  

O especialista cita, por exemplo, comunidades holandesas e suíças. Nestes regiões, a iluminação pública é apagada após determinada hora. No Brasil, ainda é difícil pensar nesta prática por diferentes questões, a principal delas é a segurança pública. 

No entanto, medidas importantes já foram conquistadas por aqui. O Projeto Tamar, por exemplo, desenvolveu a Cartilha de Fotopoluição e conseguiu aprovar leis que impedem a instalação de novos pontos de luz. Conseguiu, também, a substituição dos pontos existentes por iluminação adequada que não impactam no processo de desova das tartarugas marinhas e na orientação dos filhotes em direção ao mar. A cartilha é importante para projetos à beira-mar.  

No geral, “a melhor providência que pode ser tomada é fixar limites de potência instalada dependendo da densidade habitacional e do tipo de ambiente: comercial, misto, residencial, residencial a baixa densidade. Assim, se obriga as prefeituras a escolherem as lâmpadas e as luminárias mais eficientes, assegurando conforto aos moradores, sem desperdiçar energia e radiação desnecessária no ambiente”. Na Califórnia já existe uma regulamentação neste sentido.  

Benefícios dos cuidados com iluminação artificial

A importância do uso consciente e adequado da iluminação artificial não só reduz o impacto ao meio ambiente, como também traz contribuições positivas. Enquanto para as plantas pode favorecer o florescimento, para os homens reforça a percepção dos ciclos circadianos nos idosos, entre outros.  

Apesar do crescimento de tendências mais conscientes por parte de empresas e consumidores, reforçadas pelas políticas de ESG (Enviromental, Social and Governance), “é necessário convencer o público que a iluminação é, sem dúvida, benéfica, mas deve ser usada com racionalidade para que o fornecimento ocorra de forma adequada e econômica”, completa Barghini. 

Questões envolvendo iluminação artificial, iluminação pública e as tecnologias do setor podem ser conferidas aqui no blog da Expolux e estarão na programação do evento. Então, fique de olho. 

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