Entrevista com Abilux sobre os avanços e oportunidades em iluminação pública no pós-pandemia

Por Paulo Scalabrin

Tem sido frequentes cidades brasileiros anunciarem a troca da Iluminação pública (IP) – composta por lâmpadas de vapor – por luzes de LED. Alguns exemplos? Em dezembro, a cidade de São Paulo divulgou a modernização de mais de 186 mil postes com a tecnologia, realizada no período entre agosto de 2019 e novembro de 2020.  No Rio de Janeiro, está em andamento o Programa Luz Maravilha, que consiste na substituição de 450 mil luminárias por novas de LED até 2022. Regiões do Triângulo Mineiro, ABC Paulista e outras também estão substituindo as lâmpadas dos espaços públicos.   

Não é de hoje que muitos municípios, e não apenas os grandes centros, estão reestruturando os postes de luzes em busca de maior eficácia na iluminação, com alternativas que ofereçam mais qualidade, maior ciclo de vida e segurança. Tal mudança integra um dos conceitos urbanísticos mais discutidos na atualidade e que tem pautado as administrações públicas: o de cidades inteligentes. 

Neste contexto, a lâmpada em LED, além dos benefícios citados, possibilita principalmente, reduções do consumo variando entre 40% e 65 % e do impacto ao meio ambiente.  

Estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (ABILUX) mostram que dos 19 milhões de pontos instalados no país, 20% possuem luzes de LED. Sobre este panorama e os impactos da pandemia e da possível crise energética no processo de troca da iluminação, a Expolux conversou com o diretor da instituição, Marco Poli. Confira a entrevista: 

EXP – A Abilux desenvolveu ou tem acesso a algum estudo recente sobre iluminação pública no Brasil ou regional? Caso não, quais os dados mais recentes considerados pela instituição? 

Marco Poli – A Abilux tem estimativas do parque total instalado no Brasil, que está na ordem de 19 milhões de pontos instalados, sendo que destes 20% são com tecnologia LED. Não notamos haver preferência regional nas atividades de substituição, mas sim quanto ao tamanho das instalações. Nas grandes prevalecem as Parcerias Público-Privadas (PPPs), as licitações de grande volume; nas menores, o apoio de verba da Eletrobras, royalties. E em ambos projetos diretos próprios pela COSIP/CIP (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública / Contribuição de Iluminação Pública).  

EXP – Antes da pandemia, o setor vinha avançando discussões com as PPPs? Qual é a situação hoje? 

MP – As PPPs são opções atrativas para viabilizar projetos, sendo que, desde o início da municipalização do setor de iluminação pública, ocupam uma posição de destaque como modelo para efetivar os investimentos. Na pandemia sofreram perda de velocidade, quando as atenções foram concentradas no setor da saúde. Porém, considerando que a substituição por nova tecnologia traz economia significativa nos gastos em energia e em manutenção, a Iluminação Pública tem atraído variadas modalidades de financiamentos. Hoje, contabilizamos vários estudos em andamento de PPPs.    

EXP – Na visão da ABILUX, quais os principais entraves para o avanço das PPPs? 

MP – Os principais entraves são vincular a receita da COSIP/CIP com o prazo para maturação dos projetos; estabelecer a contribuição COSIP/CIP nos municípios que não as tenham; o processo de aceitação da PMI (procedimento de manifestação de interesse) e tempo de aprovação dos projetos e a dimensão mínima dos parques para viabilizar projeto e retorno.  

EXP – Em momentos de crise no sistema energético, como os apagões que estão ocorrendo, a troca da iluminação pública pode ser vista como um recurso de economia mais urgente? 

MP – Sim. O potencial de redução de consumo de energia superior a 50% coloca o setor de iluminação pública como grande contribuinte para o Brasil enfrentar a crise energética e ainda com bom retorno para os investimentos. Há consenso de que as autoridades envolvidas deveriam priorizar o investimento nas novas tecnologias. 

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EXP – Em contrapartida, a pandemia mexeu em algumas prioridades da administração pública. Isso pode atrapalhar as trocas programadas? 

MP – Considerando que as contribuições COSIP/CIP são destinadas à iluminação, não temos observado conflito ou necessidade de alterar as programações de trocas nas instalações de IP. Acreditamos que, havendo vontade política, os projetos de iluminação pública não concorrem com outras prioridades, cabendo destacar que são projetos com bom retorno financeiro e, adicionalmente, quando adequadamente terceirizados, aliviarão as administrações municipais. 

EXP – Qual o papel da sociedade em geral? É possível cobrar avanços de alguma forma? 

MP – A sociedade está constantemente demandando melhores serviços de iluminação dentre eles pela melhor qualidade de iluminação e por confiabilidade. Os aspectos de economia e durabilidade são bônus para efetivar os projetos e aliviar custos para os municípios e contribuintes. 

EXP – Como é a situação fora dos grandes centros? 

MP – A questão fundamental é ter, para os projetos de PPP, um parque de iluminação com tamanho suficiente para permitir viabilizar o projeto, inclusive dando um retorno adequado. Adicionalmente é fundamental que exista o conceito da contribuição COSIP/CIP, implementado. 

EXP – Como pensar em sustentabilidade além da economia de energia ou usar a iluminação para integrar conceitos de cidade inteligente? 

MP – O setor de iluminação, com seus novos produtos, vivencia, de forma intensa e constante, o conceito de sustentabilidade, seja pelo aspecto de “custo total de propriedade” ou pelos “produtos amigáveis ecologicamente”. Como integradora da Internet das Coisas, IoT, a iluminação, particularmente a pública, passou a ser o centro (hub) para captar/interagir com outras funcionalidades de serviço à sociedade. Neste contexto temos uma gama de sensores/equipamentos que vão além da iluminação. 

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